Veritas est Libertas
March 24, 2009
escrevo a sangue. esta noite devia tê-la passado contigo. em vez disso, estou só, inviolada e inviolável, em local seguro, protegida de tudo e todos. cínica, olho para o que os homens me fizeram e penso cinicamente “homens”, mas vejo o que as mulheres fazem e penso cinicamente “mulheres”. o meu descontentamento pela espécie humana – as ilusões derrubadas por terra – são totais. só me resta o mundo interior, a aventura interior, intocada e intocável, que resta como tesouro bem guardado para quem me há-de amar de alma, coração e vida, cujos joelhos se dobrarão frente a mim como uma imagem do antigamente para pedir a minha mão. de resto pouco ou nada interessa. pego nas memórias do passado, guardo as que brilham, o resto reduzo-as a menos que nada. olho para os sequiosos de poder, que pretendem ser soberanos sobre os soberanos, e considero-os como o cotão humano que serve para aplacar a minha sede de sangue. descartaram-me como se fosse uma pária, doravante existem para venerar o chão que eu piso. de joelhos, como merecem estar. porque o poder não se mede aos palmos mas sim por subtis jogadas em que quem vence não é o mais apto mas o mais intrinsicamente veloz. e tu, áí, só no teu mundo de ilusões, achas que podemos ser felizes juntos? eu acho que sim e espero apenas o teu sim para vir de encontro a ti e que me abraces para não me largar mais. não me interessam os esquemas de poder de terceiros – o poder a nós pertence, e se para outros isto é iluminação, prefiro estar às escuras. porque sou uma mulher cínica de maus fígados, cadela fiel de coração partido correndo para a morte certa. se minha dona morre, morro também sobre a sua sepultura, recusando comida e água. sou feita de fidelidade total e absoluta. mas vocês, raça de homens sem norte que vos guie, ensinaram-me a odiar, coisa que detesto, e o que é a frustração por vós imposta. e vocês, espécies de mulheres fracas e submissas, ensinaram-me lições de desprezo. mas nada da vossa maldade arranca o amor puro que trago em mim, porque esse amor é sempre meu e sempre novo e cada vez que penso em ti, além, penso em nós felizes juntos – como sempre fomos, sabes? fomos sempre felizes juntos, pensa nisso. sou rochedo de firmeza e pulso forte nas tempestades. sou um coral de vozes que se erguem na noite para cantar aleluia. não temas ajoelhar-te perante mim, pois não te olharei de cima, o teu pescoço pode descansar. armar-te-ei cavaleiro da ordem dos sonhadores que obstinadamente se recusam a abandonar os seus desejos mais selvagens. no meu abraço arde o calor de todos os fogos do mundo. as mentiras escravizam, mas a verdade liberta. que esperas para me receber?