Fais Attention
March 7, 2009
olha para mim. olha-me. vê, como eu venho até ti. sou feita de carne e sangue e nervos e ossos e coração. meus pés calcam a terra firme, tenho calcanhares de mercúrio, pulsos de enxofre e coração de sal. meus braços erguem-se em socorro até à vastidão dos céus, toco as estrelas com as pontas dos dedos. minhas pernas são colunas, sustentáculos do templo vivo de meu corpo. olha-me, vê como venho até ti. ama-me não como a criança que viste ou como a jovem que conheceste mas como a mulher que agarraste em teus braços. sou feita de prometer. pulso forte, pulso bem nas tempestades. quero a espessura maciça de teu ser, teu ser completo como o conheço, tu a quem nada escondo, tu a quem tudo revelo. e vejo-te, tu, só, além, tu que viraste o meu mundo ao contrário, sê tu a última reza de meus lábios e a última canção de amor de meu ser. pensa na distância que franqueei para estarmos juntos, como uma torre que construí para de cima dela veres à volta toda a paisagem deslumbrada em teus olhos. sobre meus lábios pacificados deponho o gesto universal do silêncio. vem, o templo é teu. tem atenção às estrelas…e atravessa as fronteiras até mim.