Désir

March 2, 2009

uma voz clama no deserto. sinto calor a sair de mim, sinto amor a sair de mim. procurei-te pela cidade inteira. vim dar contigo. tudo o que aconteceu estava escrito, vi dois cálices e um rei de espadas. tenho andado sem fome desde essa altura. perco a fome quando penso demasiado, quando estou apaixonada. quero que fiques com o meu sangue derramado. tremo quando não sangro. tuas mãos brincam ao esconde. quero viver contigo sem testemunhas. tenho um local silencioso dentro do meu coração que ninguém conhecerá. é feito de cor verde e floresta virgem. e lá dentro grito por socorro sem palavras. simplesmente ergo os braços. vejo a bondade nos teus olhos. a ausência dorme comigo, todas as noites. não te magoes. onde é que vivo? num turbilhão de espadas, num bosque de árvores de tangerina. não quero morrer sozinha. mata-me. deixa que o amor aconteça. vejo tantos seres em sofrimento. preciso de cantar a uma criança até ela adormecer. conheço-te de olhos fechados. conhece-me de olhos abertos. se pudesse ser um gesto de amor seria uma carícia sem fim. quero que fiques com a minha sombra protectora, para te proteger do sol que te cega. e quero brincar ao esconde e dar-te beijos e dizer que gosto dos teus olhos e sentar-me no chão enquanto abres as janelas roubar-te cigarros e tocar a tua pele e dizer o quanto gosto da tua alma e do teu peito e dos teus lábios – e esconder-me num canto a fumar até me descobrires lá e desintegrar-me quando te ris e derreter-me quando sorris e contar-te sobre a floresta encantada e sobre o anjo que voou sobre a Gronelândia e pensar como é que te chegas até mim e ter uma ternura tão profunda que para ela não existem palavras e vaguear pela cidade pensando que está vazia sem ti e fazer amor contigo às três da manhã para te dar a conhecer que o tempo é eterno e de alguma maneira dar-te algum do esmagador, perene, inegável, irresistível, incondicional, abrangente, insultantemente verdadeiro, preenchedor, libertador, desafiante, contínuo e frágil como o mundo amor que tenho por ti. estou aqui para me lembrar. abandona-te. sou a mulher de olhos tristes pelos pecados da qual os mártires morrem. queres entender. não tenho palavras, as minhas palavras gastam-se, como o vento que passa, tudo o que tenho é poesia e música. penso em ti. uma dor surda em mim como faca atravessada. só um milagre nos pode salvar. sou pura, sou desfeita, e ninguém me pode salvar. bebo de copos vazios. sonho contigo. gosto de te ter dentro do meu pensamento. gosto de te ter dentro de mim. o amor poderia ter-me destruido, mas o amor construiu-me. gosto dos teus acasos. preciso muito de verde frente aos meus olhos. o meu coração está resplandecente e cheio de luz. beijar os segredos. tudo o que toco se transforma em luz pura. abro a boca para engolir a chuva que cai, o longo choro do céu sobre a terra pinga-me garganta abaixo. beijos como feitiços. no fundo do meu amor estão os alicerces do respeito. corro por entre as ervas, urze violeta a arranhar-me as pernas. és lindíssimo. começa de novo. olho para teu peito, fico cega de tanta luz. um fio de sangue apenas sustém meu coração, não me digas não, jamais. sombrio anjo divino. atravessei dois rios e numa margem chorei. o grito de uma flor. a sombra de um grito. os teus olhares são um acto divino. nunca guardes recordações de um ódio de morte, apenas de um amor de vida. as emoções serem escritas por seres sem medo.

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2 Responses to “Désir”

  1. Maria said

    Há muita beleza em ti. Há muito amor. Há muita dedicação, lealdade, luz, fé.
    Mereces coisas boas.

  2. argonautaturrifexa said

    deixei-te uma surpresa algures no éter :)

    felicidades bela!

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